Foto: Moises

Armin van Buuren e Laidback Luke juntam-se à empresa de IA musical Moises

Armin van Buuren e Laidback Luke juntaram-se à Moises como consultores, tornando-se os primeiros membros do programa Artist Partnerships da empresa de inteligência artificial aplicada à música.

A Moises apresenta-se como uma alternativa “responsável” a outras plataformas de IA musical, afirmando que os seus modelos são treinados apenas com faixas e ficheiros licenciados e autorizados. A empresa já conta com ligações a nomes e entidades como Ableton, Fender, o espólio de Whitney Houston, Cory Henry, Jordan Rudess e Berklee Online. No início deste ano, Charlie Puth assumiu o cargo de Chief Music Officer.

O envolvimento de Armin van Buuren e Laidback Luke deverá passar por feedback sobre ferramentas de DJ e produção. Os dois artistas vão também contribuir com perspetivas sobre o futuro da criação áudio, ajudando a desenvolver o conjunto de ferramentas de estúdio da Moises, que já inclui separação e isolamento de stems, identificação de acordes e mastering.

Geraldo Ramos, fundador e CEO da Moises, defende que a música eletrónica sempre avançou graças à disponibilidade dos artistas para experimentar novas tecnologias. Para o responsável, a próxima geração de ferramentas criativas deve ser construída com músicos, e não à margem deles.

Laidback Luke sublinha uma ideia semelhante: cada geração de produtores recebe novas ferramentas, mas as melhores não fazem o trabalho pelo artista. Na visão do DJ e produtor, devem ajudar a ouvir melhor, aprender mais depressa e tomar decisões criativas mais fortes.

Armin van Buuren também destaca o papel histórico da tecnologia na evolução da música eletrónica, mas coloca a questão principal no controlo artístico. Para o produtor neerlandês, o essencial é garantir que o artista continua no centro do processo criativo.

A entrada de dois nomes de peso do EDM acontece num momento de forte debate sobre IA na música. Este verão, a SubmitHub indicou que quase 40% dos lançamentos analisados em julho tinham algum tipo de assistência de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, plataformas como Beatport, Traxsource, Bandcamp e Deezer têm vindo a definir regras mais rígidas para música gerada por IA.

Para quem acompanha música eletrónica, esta parceria é relevante porque mostra uma tentativa de separar ferramentas de apoio à produção de modelos generativos baseados em conteúdo não autorizado. Num género historicamente ligado à tecnologia, a discussão já não é apenas sobre usar ou não IA, mas sobre quem controla os dados, quem decide o resultado e de que forma os artistas são respeitados no processo.

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