Mais de 200 festivais e 100 espaços de música ao vivo na Europa estão nas mãos de apenas quatro grandes grupos promotores. É este o ponto de partida de um novo documentário da Arte TRACKS, que analisa a crescente concentração no mercado dos festivais e das salas de concertos.
Com cerca de 20 minutos, o filme centra-se na atuação da Live Nation, CTS Eventim, AEG e Superstruct Entertainment. Em conjunto, estes grupos têm vindo a reforçar a sua presença no circuito europeu, levantando questões sobre a concorrência, os preços dos bilhetes e o espaço disponível para promotores e festivais independentes.
O documentário olha também para a compra da Superstruct pela KKR em 2024 e para a reação que se seguiu no setor. A operação levou a que vários artistas, coletivos e público questionassem a ligação entre grandes fundos de investimento e alguns dos eventos mais relevantes da música eletrónica.
Para aprofundar o tema, a Arte TRACKS reúne perspetivas de Michail Stangl, curador do CTM Festival, e Erica Romero Pender, da rede Live DMA. Ambos abordam os riscos de um mercado cada vez mais concentrado, onde a redução de alternativas pode ter impacto direto na diversidade cultural e na sustentabilidade de estruturas independentes.
DJ AYA surge também no documentário para falar sobre a campanha de boicote a eventos ligados à Superstruct e sobre o papel que artistas e público podem ter nesta discussão.
Mais do que uma análise ao negócio dos grandes festivais, o filme coloca uma pergunta relevante para quem vive a música ao vivo: quando um número reduzido de empresas controla uma parte tão significativa do circuito, o que acontece à independência, à diversidade e ao acesso à cultura?
O documentário está disponível no canal de YouTube da Arte TRACKS.