O documentário “Paraíso” estreia esta quinta-feira, 17 de setembro, na Filmin, quase um ano depois da apresentação no festival IndieLisboa e após passagem pelas salas de cinema.
Realizado por Daniel Mota, o filme olha para a génese e evolução da cultura rave em Portugal, recuperando memórias, imagens de arquivo e testemunhos de protagonistas que ajudaram a construir a cena eletrónica nacional. O documentário venceu o Prémio de Melhor Documentário no Caminhos do Cinema Português.
Entre os participantes estão Alcântara Dancers, Alexandre FX, Carlos Fauvrelle, DJ Vibe, Carlos Manaça, Daniel Tenaglia, DJ Morgana, Frank Maurel, Luís “XL” Garcia, Luís Leite, Miss Sheila e The Advent. Através destas vozes, “Paraíso” acompanha o impacto da música de dança no país a partir dos anos 90, período em que Portugal viveu uma forte explosão ligada às raves, ao house e à cultura clubbing.
Na sinopse disponível na Filmin, o documentário recorda a expressão “Underground house music from a paradise called Portugal”, usada para enquadrar esse momento de afirmação da música eletrónica portuguesa. O filme reúne entrevistas a DJs, produtores, bailarinos e promotores, além de imagens exclusivas sobre as primeiras raves em território nacional.
A origem do projeto remonta a 2015, quando João Ervedosa, conhecido como Shcuro, e Maria Guedes, também conhecida como Maria Amor, iniciaram um conjunto de entrevistas na Rádio Quântica. Esse trabalho acabou por abrir caminho a um arquivo mais vasto, com VHS, gravações, fotografias e outros materiais guardados em coleções pessoais.
Na altura da estreia, os produtores explicavam que essas entrevistas se transformaram em portas de entrada para um arquivo vivo, feito de memórias, visões e imagens esquecidas das primeiras festas rave em Portugal. Esse processo deu origem ao objeto final agora disponível em streaming.
Para quem acompanha música eletrónica, “Paraíso” é relevante por documentar uma parte essencial da história da cultura de pista em Portugal. Mais do que revisitar uma época, o filme ajuda a compreender como se formaram comunidades, espaços, linguagens e referências que continuam a influenciar a cena atual.
A estreia na Filmin torna o documentário acessível a um público mais alargado e permite recuperar uma história que, durante muitos anos, viveu sobretudo na memória de quem a fez e de quem a dançou.