Sub Focus vai doar uma libra por bilhete para apoiar a música independente no Reino Unido

Sub Focus anunciou que vai doar uma libra por cada bilhete vendido para os seus próximos concertos em arena, com o valor a reverter para o fundo britânico de apoio à música independente e aos espaços de base.

O produtor e DJ britânico de drum & bass vai apresentar o conceito ao vivo “Circular Sound” na O2, em Londres, a 26 de março, e na Co-op Live, em Manchester, a 27 de março de 2027. As datas assinalam os maiores concertos da sua carreira e fazem de Sub Focus o primeiro DJ a aderir a este sistema de contribuição por bilhete.

A iniciativa foi confirmada pela campanha Save Our Scene, dedicada à proteção da vida noturna e da cultura musical no Reino Unido. Os fundos angariados serão encaminhados para o LIVE Trust, entidade que apoia programas como o Live Line Fund e iniciativas ligadas à preservação da cena musical de base.

O sistema britânico de contribuição por bilhete foi lançado em janeiro de 2025 e funciona de forma voluntária. A proposta prevê uma doação de £1 por bilhete em concertos realizados em arenas e estádios com capacidade superior a 5.000 pessoas. O dinheiro é depois distribuído por projetos que apoiam salas pequenas, promotores independentes e outros agentes do ecossistema musical.

A medida surge num contexto difícil para a música ao vivo no Reino Unido. Nos últimos anos, centenas de clubes e salas encerraram, pressionados pelo aumento dos custos, pela quebra de receitas e pelas dificuldades enfrentadas pelos operadores independentes. Até maio, o sistema já tinha angariado mais de seis milhões de libras.

A entrada de Sub Focus neste modelo tem relevância particular para a música eletrónica. Apesar de DJs e produtores estarem hoje presentes em grandes arenas e festivais, a cultura eletrónica continua profundamente ligada a clubes, promotores locais e circuitos independentes, onde muitos artistas começaram a construir carreira.

A decisão também reforça uma discussão mais ampla sobre a responsabilidade dos grandes espetáculos no apoio às estruturas que sustentam a música ao vivo. Para a cena eletrónica, marcada por uma ligação histórica à cultura de clube, o gesto coloca o tema da sustentabilidade dos espaços independentes no centro da conversa.

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