Quase 40% da música lançada em julho de 2026 terá sido criada com recurso a inteligência artificial, segundo um novo estudo.
A análise foi feita pela SubmitHub, plataforma usada por artistas para enviar música a playlists e blogs, através da ferramenta SH Labs, criada para detetar música gerada ou assistida por IA. O estudo analisou mais de um milhão de lançamentos desse mês e concluiu que 38,5% continham algum tipo de envolvimento de inteligência artificial.
Segundo os dados divulgados, 23,2% da música analisada foi identificada como totalmente gerada por IA. Outros 15,3% dos lançamentos incluíam áudio gerado por IA, mas posteriormente modificado ou processado por humanos.
Um dos pontos mais relevantes do estudo está na resposta dos próprios artistas. A SubmitHub contactou artistas cujos temas foram sinalizados como tendo conteúdo gerado ou assistido por IA e 31% negaram ter usado a tecnologia.
Para Jason Grishkoff, fundador da SubmitHub, o caminho para a música criada com recurso a IA passa pela transparência. O responsável defende que os ouvintes devem poder decidir se querem ou não envolver-se com música gerada por inteligência artificial, desde que tenham informação suficiente para fazer essa escolha.
O tema tem vindo a ganhar peso na indústria musical. Em maio, a Deezer revelou que música gerada por IA representava 44% dos uploads diários na plataforma, o equivalente a quase 75 mil faixas por dia. A plataforma tem também tomado medidas contra este tipo de conteúdo, incluindo a desmonetização de streams associados a música gerada por IA.
Outras plataformas têm seguido caminhos semelhantes. O Spotify removeu milhões de faixas consideradas “spam” gerado por IA, enquanto o Bandcamp proibiu música gerada por inteligência artificial. Mais recentemente, o Beatport anunciou planos para banir faixas totalmente ou maioritariamente geradas por IA, mantendo a possibilidade de identificar temas feitos com assistência da tecnologia.
Para quem acompanha música eletrónica, a discussão é especialmente relevante. A produção digital sempre esteve no centro da cultura eletrónica, mas a entrada massiva da IA levanta novas questões sobre autoria, transparência, curadoria e valor artístico.