Um novo estudo da Royal National Institute for Deaf People indica que 83% dos fãs de música da Geração Z, entre os 20 e os 29 anos, já sentiram problemas auditivos depois de assistir a concertos ou ouvir música alta.
Os dados foram divulgados no âmbito da campanha “Don’t Lose The Music”, criada para incentivar o uso de tampões auditivos em eventos musicais. Entre os sintomas relatados estão zumbidos, sensação de ouvido tapado ou audição abafada depois de exposições a som elevado.
Segundo o estudo, 10% dos inquiridos dizem sentir estes sintomas regularmente. Apesar disso, apenas 20% afirmam usar tampões auditivos com frequência, o que mostra uma distância significativa entre a exposição ao risco e a adoção de medidas simples de prevenção.
A campanha da RNID procura combater ideias comuns sobre os tampões, incluindo a perceção de que reduzem a qualidade do som ou de que são desconfortáveis. A organização disponibilizou também orientações para escolher o tipo de proteção auditiva mais adequado a diferentes necessidades e contextos de utilização.
A campanha conta com o testemunho de Natalie, DJ e criadora de conteúdos que atua como KEM. A artista conta que sentia frequentemente zumbidos nos ouvidos depois de eventos, mas assumia que era normal por desaparecerem passado algum tempo. Mais tarde, percebeu que esse sinal podia indicar danos auditivos e que, no seu caso, os efeitos se tornaram permanentes.
Além do uso de tampões, a RNID recomenda manter distância das colunas sempre que possível e fazer pausas regulares em zonas menos ruidosas durante os eventos, para dar tempo aos ouvidos para recuperar.
Para quem acompanha música eletrónica, o tema é especialmente relevante. Clubes, festivais e eventos de pista trabalham frequentemente com níveis elevados de pressão sonora, e a exposição repetida pode ter impacto a longo prazo na audição de DJs, equipas técnicas e público.
Nos últimos meses, o assunto voltou também a ganhar atenção com casos dentro da própria indústria. Purple Disco Machine revelou em junho que estava a lidar com perda auditiva e tinnitus severos, situação que o levou a interromper temporariamente a digressão para recuperar.
A discussão não passa por reduzir a intensidade da experiência ao vivo, mas por normalizar a proteção auditiva como parte da cultura de eventos. Numa cena construída em torno do som, preservar a audição é também preservar a ligação à música.